InícioNegóciosInvestimentoGoverno Sul-Africano eleva meta de investimento privado para R2 Biliões até 2028

Governo Sul-Africano eleva meta de investimento privado para R2 Biliões até 2028

A África do Sul entra numa nova fase da sua estratégia económica com uma meta ambiciosa de mobilizar R2 biliões em investimento privado até 2028. O objetivo foi anunciado pelo Presidente Cyril Ramaphosa, na sequência dos resultados positivos do ciclo anterior de captação de investimento.

Na sua carta semanal, publicada antes da South Africa Investment Conference (SAIC), em Sandton, Ramaphosa destacou que o primeiro ciclo, iniciado em 2018, superou as expectativas. A meta inicial de R1,2 biliões foi ultrapassada, atingindo R1,57 biliões, um desempenho 26% acima do previsto.

Durante este período, foram anunciados mais de 300 projetos, dos quais 161 já estão concluídos ou em execução, contribuindo para a expansão industrial, criação de emprego e desenvolvimento de infraestruturas.

Entre os investimentos já materializados, destacam-se:

  • A concessão de 25 anos no Terminal de Contentores de Durban, avaliada em R11 mil milhões;
  • A entrada em operação da mina Platreef, em Limpopo, com um investimento de R2,8 mil milhões;
  • O reforço da capacidade produtiva do modelo híbrido X3 pela BMW, no complexo de Rosslyn, em Tshwane, num investimento de R4,2 mil milhões.

Segundo o Presidente, estes resultados reforçam a credibilidade do país como destino de investimento e criam as bases para uma nova fase focada na execução. “A África do Sul está numa fase de implementação, não apenas de promessas”, sublinhou.

Reformas estruturais ganham tração

Ramaphosa reconheceu que os avanços na captação de investimento foram sustentados por progressos na agenda de reformas, em particular através da Operation Vulindlela, iniciativa que visa eliminar bloqueios estruturais ao crescimento.

Entre os principais desenvolvimentos, destacam-se:

  • A emergência de um mercado elétrico mais competitivo, contribuindo para a redução significativa dos cortes de energia;
  • A modernização do sector logístico, com a abertura da rede ferroviária de mercadorias ao sector privado (41 slots já atribuídos);
  • Reformas no regime de vistos para atrair talento e impulsionar o turismo e eventos internacionais.

Neste contexto, o Governo introduziu medidas como o Remote Work Visa, o Trusted Employer Scheme e novos vistos temáticos (MEETS e STAGES), com o objetivo de facilitar a entrada de competências e dinamizar sectores criativos e de serviços.

Execução será determinante para atingir nova meta

Apesar do tom otimista, o Governo reconhece que o sucesso da nova meta dependerá da capacidade de acelerar a implementação das reformas.

Organismos internacionais têm alertado que o impacto económico só será visível quando os projetos forem efetivamente executados e gerarem atividade nos sectores com maior potencial, como energia, logística, indústria automóvel e mineração.

As recentes mudanças no regime de vistos e os investimentos em infraestruturas procuram apoiar esse processo, reduzindo custos operacionais e melhorando a competitividade. Ainda assim, persistem desafios relevantes, incluindo atrasos administrativos, incerteza regulatória e constrangimentos estruturais. A ambição de captar R2 biliões até 2028 dependerá, em última instância, da capacidade do país alinhar discurso e execução num contexto em que a confiança dos investidores continua sensível à previsibilidade e à eficácia das políticas públicas.

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