O governo sul-africano veio a público lançar uma forte mensagem de tranquilidade ao setor empresarial, aos investidores e aos turistas que se encontram no país. A Ministra da Presidência, Khumbudzo Ntshavheni, garantiu categoricamente que “ninguém vai paralisar a África do Sul”, desmentindo os receios de um bloqueio nacional (national shutdown) planeado por grupos civis para o próximo dia 30 de junho de 2026.
A mobilização, organizada por plataformas como o movimento March and March, estabeleceu um “ultimato” privado para a saída voluntária de cidadãos estrangeiros indocumentados, ameaçando com protestos à escala nacional caso as exigências não fossem cumpridas. O anúncio gerou apreensão no meio corporativo e na comunidade internacional, despertando receios de perturbações logísticas semelhantes às vividas em crises anteriores no país.
Durante a habitual conferência de imprensa de balanço do Conselho de Ministros, em Pretória, a Ministra Ntshavheni assumiu uma postura firme em nome do Governo de Unidade Nacional (GNU). Embora a Constituição sul-africana proteja expressamente o direito ao protesto e à manifestação pacífica, o Estado não tolerará que leis sejam infringidas ou que a atividade económica seja sequestrada.\
O Serviço de Polícia da África do Sul (SAPS) e as forças do cluster de segurança já colocaram as suas unidades de resposta rápida e controlo de massas em estado de alerta máximo nos principais eixos económicos e zonas urbanas de Gauteng, KwaZulu-Natal e Western Cape.
Numa demonstração clara de alinhamento para proteger a economia, as quatro maiores federações sindicais do país, incluindo a COSATU, emitiram um comunicado conjunto a apelar aos trabalhadores para que se apresentem nos seus postos de trabalho a 30 de junho, lembrando que qualquer ausência neste contexto não terá proteção legal face aos empregadores.
A Resposta Estrutural: Comissão Interministerial Ativada
O Presidente Cyril Ramaphosa reiterou que a gestão das leis de imigração e o controlo de fronteiras são competências exclusivas das autoridades governamentais, alertando os cidadãos para não tentarem fazer justiça pelas próprias mãos.
Para dar uma resposta célere às preocupações legítimas da população sobre a gestão migratória, Pretória ativou uma Comissão Interministerial especial, liderada pela Ministra da Justiça, Mmamoloko Kubayi. Este comité está já a executar um plano de contingência focado em cinco eixos centrais nomeadamente oreforço imediato da segurança nas fronteiras nacionais, operações coordenadas de fiscalização e cumprimento da lei, apoio humanitário e gestão de centros de repatriamento voluntário, coordenação diplomática com os países da região (SADC) e modernização e integração de dados dos sistemas do Ministério do Interior (Home Affairs).
Fonte: Editorial Ponto Sul


