Os protestos contra migrantes na África do Sul ganharam força nas últimas semanas. Muitos manifestantes acreditam que a saída de trabalhadores estrangeiros vai criar mais oportunidades para os sul-africanos. No entanto, economistas defendem que a medida pode ter o efeito contrário.
Milhares de migrantes já deixaram o país por receio de novos episódios de violência. Essa saída pode afetar empresas que dependem de mão de obra estrangeira.
Empresas podem enfrentar falta de trabalhadores
Muitos migrantes trabalham na agricultura, construção, hotelaria, comércio, transportes e serviços de entrega. Estes setores já enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores.
Segundo o académico Mpho Lenoke, da North-West University, os migrantes ocupam vagas que muitas empresas têm dificuldade em preencher. Além disso, muitos também criam pequenos negócios que empregam cidadãos sul-africanos.
Comércio já sente os efeitos
Os protestos já causaram perturbações em algumas zonas do país.
As spaza shops, pequenas lojas de bairro geridas por muitos estrangeiros, fazem parte da economia informal da África do Sul. O encerramento destes estabelecimentos pode afetar fornecedores, proprietários e trabalhadores locais.
A plataforma de entregas Sixty60, do grupo Shoprite, também registou dificuldades durante os protestos.
Desemprego continua elevado
A África do Sul enfrenta uma economia fraca e uma taxa de desemprego próxima de 33%. Cerca de 8,1 milhões de pessoas continuam sem trabalho.
Este cenário aumentou a frustração de muitos cidadãos e fortaleceu os movimentos contra a imigração.
Mesmo assim, estudos da Organização Internacional do Trabalho indicam que a presença de migrantes não reduz o emprego dos sul-africanos. Em alguns casos, a atividade económica criada pelos estrangeiros gera novas oportunidades de trabalho.
O impacto pode chegar aos países vizinhos
A África do Sul é o principal destino de trabalhadores migrantes da África Austral. Também envia milhares de milhões de rands em remessas para países como Moçambique, Zimbabwe, Malawi e Lesoto.
Se mais migrantes abandonarem o país, essas transferências podem diminuir e afetar muitas famílias que dependem desse dinheiro.
Os protestos contra migrantes na África do Sul refletem o descontentamento com o desemprego e a situação económica. No entanto, vários economistas alertam que a saída de trabalhadores estrangeiros pode provocar falta de mão de obra, reduzir a atividade económica e prejudicar empresas.
Em vez de resolver os problemas do país, os protestos podem criar novos desafios para a economia sul-africana.
($1 = 16.3854 rand)
Fonte: Reuters/Ponto Sul


