O Papa Leão XIV criticou duramente a exploração de recursos naturais em África, este sábado, lançando ataques a “déspotas e tiranos” que garantem riqueza mas não cumprem as suas promessas, gerando sofrimento e morte.
Num discurso proferido na Angola petrolífera, a terceira etapa da sua viagem por quatro países africanos, o Papa apelou aos angolanos para que trabalhem por uma sociedade livre da “escravidão imposta pela elite, que está repleta de grandes riquezas, mas de falsas alegrias”.
O Sumo Pontífice adotou um novo estilo de discurso, mais enérgico, durante a viagem desta semana, num contexto de críticas por parte do presidente dos EUA, Donald Trump. No voo dos Camarões para Angola, o Papa tentou desvalorizar a disputa, afirmando aos jornalistas que os comentários sobre “tiranos”, feitos anteriormente na viagem, não eram dirigidos a Trump e que não é do interesse do Vaticano alimentar tal debate.
Já em solo na capital angolana, Luanda, o Papa Leão lamentou que “poderosos interesses reivindiquem” os recursos naturais da antiga colónia portuguesa, numa referência aparente a empresas estrangeiras que beneficiam dos setores do petróleo e diamantes, bem como do nascente setor de minerais críticos.
“Com demasiada frequência, as pessoas olharam — e continuam a olhar — para as vossas terras… a fim de as explorar”, afirmou o Papa em observações dirigidas ao Presidente angolano, João Lourenço, e a outros líderes políticos. “Quantos sofrimentos, quantas mortes, quantas catástrofes sociais e ambientais são causadas por esta lógica de extrativismo!”, declarou o pontífice.
Um estilo mais assertivo em África
O Papa, natural de Chicago, manteve um perfil relativamente discreto nos seus primeiros dez meses de pontificado, mas nas últimas semanas tornou-se mais vocal sobre diversas questões. Emitiu denúncias contundentes sobre a guerra e a desigualdade durante esta viagem de 10 dias por África, uma das mais complexas já organizadas para um pontífice, com paragens em 11 cidades e vilas em quatro países.
Apesar de ser uma das nações líderes na produção de petróleo na África Subsariana, a população de Angola, estimada em 36,6 milhões de pessoas, ainda enfrenta pobreza extrema, com mais de 30% a viver com menos de 2,15 dólares por dia, de acordo com dados do Banco Mundial. Mais de metade do país identifica-se como católico.
O Papa Leão apelou aos angolanos para “quebrarem este ciclo de interesses, que reduz a realidade, e até a própria vida, a meras mercadorias”. Instou os líderes políticos do país a focarem-se em ajudar todo o povo e não apenas os interesses corporativos.
“A história encarregar-se-á de vos dar razão, mesmo que, a curto prazo, alguns se possam opor”, afirmou.




