A África do Sul quer reforçar as suas reservas estratégicas de combustível para garantir maior segurança energética e reduzir o impacto de possíveis crises de abastecimento.
A proposta faz parte de uma nova política apresentada pelo Departamento de Recursos Minerais e Petrolíferos da África do Sul, que prevê reservas obrigatórias tanto para o Estado como para empresas privadas do sector petrolífero.
A iniciativa surge numa altura em que os mercados globais de energia continuam sob pressão devido às tensões no Médio Oriente, que têm afectado o fornecimento e os preços internacionais do petróleo.
Empresas poderão ter de manter reservas de combustível
Segundo o documento divulgado pelo Governo, todos os grossistas e importadores licenciados de petróleo e combustíveis poderão ser obrigados a manter 21 dias de reservas estratégicas de combustível.
A proposta determina que:
- 70% das reservas devem ser de petróleo bruto;
- 30% devem corresponder a produtos refinados, como gasóleo e combustível para aviação.
O objectivo é permitir que o país tenha uma resposta mais rápida em caso de interrupções no fornecimento internacional.
Governo prevê reservas para situações de emergência
Além das reservas privadas, o Governo sul-africano pretende criar reservas estratégicas próprias equivalentes a 60 dias de consumo.
Estas reservas seriam utilizadas apenas em situações de emergência, incluindo eventos considerados catastróficos que possam afectar o fornecimento de combustível no país.
O documento destaca a necessidade de a África do Sul possuir uma política de reservas estratégicas para aumentar a preparação nacional perante grandes interrupções no abastecimento de petróleo.
Nova política representa maior investimento desde os anos 1970
Caso seja aprovada, esta será a maior expansão das reservas estratégicas de combustível na África do Sul desde a década de 1970.
Na altura, foram construídas instalações subterrâneas de armazenamento de petróleo bruto em Saldanha, na costa oeste do país.
As novas reservas do Estado deverão ser geridas através das instalações de armazenamento de Saldanha e Milnerton. No entanto, ainda não foram definidos os níveis exactos de armazenamento necessários para a operação do sistema.
África do Sul enfrenta desafios no sector energético
A proposta surge num momento em que o país enfrenta dificuldades no sector dos combustíveis.
Nos últimos anos, a África do Sul perdeu cerca de metade da sua capacidade de refinação de petróleo, aumentando a dependência das importações.
De acordo com estimativas governamentais, o país consome aproximadamente 27 mil milhões de litros de produtos petrolíferos por ano, utilizados principalmente nos sectores dos transportes, indústria e aviação.
O Governo acredita que o reforço das reservas estratégicas de combustível poderá ajudar a proteger consumidores e empresas contra futuras crises internacionais.
A proposta encontra-se actualmente em consulta pública antes de uma possível aprovação.
Fonte: Reuters/Ponto Sul


