Os Estados Unidos devem anunciar na segunda-feira, 2 de novembro, se a África do Sul mantém a elegibilidade para a Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA) em 2027. O ministro do Comércio, Indústria e Concorrência, Parks Tau, afirmou na sexta-feira que o país está preparado para qualquer decisão, segundo a SAnews.
Tau garantiu ainda que a economia sul-africana se manterá estável independentemente do resultado, de acordo com o Business Day.
A decisão resulta da revisão anual da elegibilidade dos países beneficiários. Se Washington mantiver reservas, a África do Sul terá 60 dias para responder às preocupações norte-americanas antes de qualquer suspensão, total ou parcial, entrar em vigor.
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O AGOA, criado em 2000, permite exportar mais de 1.800 produtos para o mercado norte-americano sem direitos aduaneiros, e a África do Sul tem sido o maior beneficiário do programa.
Tau reuniu-se em setembro, em Washington, com o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer. Seguiram-se duas rondas de conversações entre altos funcionários, nas quais, segundo o ministro, houve progressos substanciais. O Governo diz ter apresentado propostas pelos canais oficiais com vista a um acordo comercial mais amplo.
O comércio bilateral entre os dois países atingiu 28,8 mil milhões de dólares em 2025. Mais de 600 empresas norte-americanas operam na África do Sul, sustentando cerca de 134.600 empregos, e o país fornece 12 dos 50 minerais que os EUA consideram críticos.
A perda do AGOA acrescentaria uma tarifa de 3,4% aos 12,5% que já incidem sobre os produtos sul-africanos, segundo o BusinessTech, que cita estimativas de entre 125.000 e 576.000 empregos diretos e indiretos em risco.
Em paralelo, o Governo diz estar a diversificar os destinos de exportação. Os mercados visados incluem a Zona de Comércio Livre Continental Africana, a SADC, a União Europeia, o Reino Unido, a Índia, a ASEAN, a China e o MERCOSUL.
Para empresários lusófonos que exportam a partir da África do Sul para os EUA, sobretudo nos setores agrícola, automóvel e industrial, a decisão e o eventual período de 60 dias são determinantes. A inclusão do MERCOSUL e da SADC na estratégia de diversificação pode abrir espaço a mais comércio com o Brasil, Angola e Moçambique, embora o Governo não tenha divulgado medidas concretas para esses mercados.
Fonte: Redação Ponto Sul

